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ENC: Autoconhecimento   Message List  
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Mandei pelo mail errado, só eu mesma. Enviando de novo...

 

Bem, faz alguns dias acordei pensando no trabalho proposto de respondermos algumas questões aqui no espaço do grupo, enquanto trabalhamos o tema Autoconhecimento. Mais precisamente pensava na pergunta sobre o que cada um de nós entende por Autoconhecimento. Comecei a responder aos poucos, pois estou assumindo um compromisso de trabalho e o ritmo anda bastante intenso. Então perdoem-me se o texto parecer escrito a muitas mãos. São todas minhas, fiquem tranqüilos.

Acredito que o que torna esse tema bastante delicado é a convicção que temos, todos nós humanos, de já nos conhecermos bem, ou pelo menos o suficiente. Afirmamos posições baseados em comportamentos sociais já demarcados como corretos, e quantas vezes surpreendemos a nós mesmos agindo de forma diferente do que pensávamos que faríamos em determinadas situações. Talvez o primeiro passo para o autoconhecimento seja a aceitação de que não sabemos tudo, nem mesmo a respeito de nós mesmos, e sairmos da segurança e conforto das máscaras que usamos para nos mostrarmos adultos maduros, fortes, controlados e bem-resolvidos, preparados para o enfrentamento da vida.

Continuando, já faz um tempinho que nossa sociedade aderiu aos modelos “auto-ajuda”, que nos estimula a somente fazer afirmações positivas de nós e do mundo. Nada contra, sou a favor das posturas positivas. Mas existe aqui um complicador para o processo de autoconhecimento. Nós, ninguém, nada, somo somente positivos. Nem o menor átomo é. A exaltação do positivo foi se transformando na negação das demais partes de quem somos.

Conhecer nossas qualidades é bem fácil. Se por modéstia não as exaltamos, alguém vai nos dizer o que fazemos bem, lembrar o que temos de “positivo”. Mas até mesmo o conceito do que seja ou não positivo acho que é relativo. Deixe eu dar um exemplo: eu sou uma pessoa que gosta de desafios, de empreender em coisas novas, se deixar toda hora estou abraçando um projeto novo e ousado. Meu namorido é o oposto neste aspecto, joga na retranca, aponta as menores dificuldades, pondera demais. Se olharmos isoladamente um “expert de auto-ajuda” diria que eu sou positiva e ele negativo. Eu discordo. Esse entusiasmo que tenho é algo que por vezes pode sair do controle e já me levou a embarcar em muitos projetos sem futuro mesmo (porque as demais pessoas envolvidas nunca se propuseram realmente a ir muito adiante, eu é que queria “ver “ as perspectivas ali). Quando aplicado com sabedoria é algo capaz de desbravar situações, manter todos com espírito empreendedor, mas se não for dosado o que faz mesmo é com que eu coloque muito empenho em coisas que, se não vão muito adiante, me deixam exausta e frustrada. Quando Vlad começa a me apresentar sua lista de dificuldades, no auge da minha disposição eu chego a dizer que ele parece a hiena do desenho (ts), e, como estou olhando de fora, lembro a ele que pensar demais pode paralisar a gente. Você acaba pensando tanto que não age. Mas existe algo de muito positivo (para mim) na forma dele ser: enquanto eu o arrasto para meus projetos loucos, ele me segura para eu não ir tão depressa, não ser tão afoita, planejar mais e estruturar o caminho. Assim como o aparentemente positivo tem seu lado negativo, as atitudes que poderiam ser consideradas de um pessimista se mostram importantes para estabelecer um equilíbrio. Com o tempo passei a perceber que nunca agradamos a todos. Como diziam nossas avós: Impossível agradar gregos e troianos. Tudo é muito relativo, o que parece muito bom para um, já não será tão bom para outro.

Se temos essa dificuldade de ponderar sobre aquilo que o senso comum determina como sendo atitudes ou sentimentos positivos, o que dizer então daqueles que estão ali dentro de nós mas não ousamos pronunciar para não atrair críticas ou julgamentos (muitas das vezes vazios e precipitados, porque em geral as pessoas emitem opiniões baseadas na superficialidade e em fórmulas “politicamente corretas”). Mas não olhar para dentro de nós, não falar sobre isso, ignorar, não fazem com que as pequenas ou grandes sombras dentro de nós sumam por encanto (nem mesmo encantamentos fazem isso, tststs). E se não buscamos nos conhecer, verdadeira e intimamente, acabamos alimentando um oponente forte e poderoso em nossas vidas, nós mesmos.  Sim porque nada nem ninguém pode nos machucar, magoar, colocar em confusões, enrolar nossas vidas, melhor do que nós mesmos. Usando o exemplo que dei antes, se eu não aceitar que sou por vezes afoita demais, sonhadora demais (mesmo que muitos achem isso muito bom), e não ponderar sempre sobre meus limites e a necessidade deles, se eu não conhecer meus excessos e tentar controlá-los, eu mesma, com a maior das boas intenções, acabo enfiando os pés pelas mãos, me frustrando e me magoando, muitas vezes sem a menor necessidade.

Bem, para mim autoconhecimento então é isso: tentarmos corajosamente (porque não é fácil) olharmos para dentro de nós, para todos os cantinhos, para as coisas consideradas boas e para as sombrias e refletirmos sobre todas elas, o que há de verdade nelas, como nos ajudam ou prejudicam, o que nos magoa e porque permitimos isso. É difícil, às vezes doloroso, mas muito importante para nos sentirmos inteiros, para conseguir ficar no comando da nau.

Este mail virou uma carta, então termino por aqui. E convido irmãs e irmãos a comentar, para trocarmos idéias, para eu tentar ser mais coerente (kkkk, tentar), para eu mesma conhecer outros pensamentos.

Que os Deuses nos encham de bênçãos e alegrias em nossas jornadas,

Abraços faéricos,

 

Nikitta Lunnafairy



Tue Sep 1, 2009 12:22 pm

lunnafairy
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Mandei pelo mail errado, só eu mesma. Enviando de novo... Bem, faz alguns dias acordei pensando no trabalho proposto de respondermos algumas questões aqui no...
Mônica d'Oliveira
lunnafairy
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Sep 1, 2009
12:23 pm

E então pessoal... mais alguém quer falar sobre? ... Bjos e bênçãos Morghana Silkmoon FD Mentor - Correllian Tradition...
morghanasilkmoon
morghanasilk...
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Sep 25, 2009
3:56 pm

oioioi mana monica! nossa como me identifiquei com tudo que vc escreveu! aqui em casa é exatamente a mesma coisa! kkk! ainda bem que temos eles, não é? e...
Debie
sempre_lendo
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Oct 26, 2009
12:16 am

Tem razão mana, mas assim escrito parece bem fácil perceber isso, hehehe, na hora da disputa, das conversas difíceis, ai é que a coisa pega. É preciso ...
Mônica d'Oliveira
lunnafairy
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Nov 12, 2009
7:45 pm
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