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caminhadasedescoberta · Caminhadas e Descoberta em S. Tomé e Príncipe
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Re: Sobre o Tubarão de STP   Message List  
Reply | Forward Message #80 of 1021 |

Brígida, adorei a tua crónica, sobretudo a última parte - tinha que ser um tubarão leve-leve!

Um beijinho,

Inês

----Original Message Follows----
From: "Brigida Rocha Brito" <brigidabrito@...>
Reply-To: caminhadasedescoberta@...
To: "Caminhadas e Descoberta" <caminhadasedescoberta@...>
Subject: [caminhadasedescoberta] Sobre o Tubarão de STP
Date: Sun, 6 Jun 2004 17:46:25 +0100
Esta manhã, num programa sobre espécies animais na SIC, foi apresentado
o caso do tubarão de STP, por comparação com tubarões de outras regiões.
Lembrei-me que, há tempos, em STP se falou muito no tema – havia quem
tivesse medo de o encontrar, quem dissesse já o ter visto numa passagem
de ano no pontão do Marlin (mas que era inofensivo, pequeno e da areia),
quem relatasse (hi)estórias, com um pormenor realista, mas sem certezas,
e quem não acreditasse que podia aparecer nas praias. Mas de todas as
conversas que fui tendo com as mais diversas pessoas, umas revelando
conhecimento e outras apenas especulativas, percebi que ninguém duvidava
que existia, e todos preferiam não ter um encontro imediato, pelo menos
com esta espécie, no meio de um mergulho ou de um banho reconfortante
nas águas mornas de STP, à luz do sol ou com a iluminação da lua.
As histórias que sempre ouvi foram coincidentes – ataques a pescadores,
na foz dos rios e mesmo na zona de confluência com o mar – o tubarão não
atacava o Homem, por atacar, ele ia sim em busca de comida. Quanto aos
turistas, não havia registos oficiais de ataques nas praias e só esse
facto era mais do que admirável porque tranquilizante.
Na verdade, sempre que pude, tal como a maioria das pessoas que passam
por STP, lá ia eu parar à praia, de dia ou de noite, acompanhada ou
sózinha, porque poucas situações me transmitiam igual sensação de paz e
de plenitude. Foram momentos magníficos. A bem dizer da verdade... não
nadava muito (ou melhor... nadava muito pouco) porque o “fantasma”
tubarão pairava no meu in+sub+consciente, e tenho a certeza que antes
dele me atacar já teria morrido de susto. Por isso, também evitei sempre
conhecê-lo mais de perto, pelo menos vivo...
A informação que passou hoje no programa foi muito interessante – o
tubarão de STP tem, no mundo inteiro, “má fama”, mas, desde há 25 anos
atrás, só existe conhecimento de 3 casos de ataques, sem serem a
turistas e nem sequer na zona onde supostamente aparecem mais. Como foi
referido e documentado com imagens, a zona onde aparecem mais tubarões é
na região de Neves e serão mais as fêmeas (facto que foi referido sem
que houvesse uma explicação científica – mas seguramente haverá...).
Agora também percebo porque os dois exemplares que vi em STP, mortos,
foram em Neves. Um na praia, após o almoço nas Santolas e outro no
decurso da “famosa” viagem à Baía de S. Miguel, na inesquecível canoa
“Tantan 3”. Pelo que agora percebo, este dia poderia ter acabado ainda
pior do que, todos os que participaram, poderiam ter pensado, depois de
termos a sensação do que é uma tempestade no mar, numa canoa com 10
pessoas e apenas um colete. Naquele dia, a preocupação dos pescadores em
Morro Peixe que rezavam por nós tinha fundamento e as preces deles
surtiram efeito! A canoa chegou e os tubarões estariam com certeza
recolhidos.
Mas, não me querendo desviar da informação, supostamente a maioria dos
habitats do tubarão são caracterizados por águas calmas e profundas e,
para respirar, ele precisa de movimento, que lhe permite aumentar os
níveis de oxigenação. Esta é a razão porque anda sempre de um lado para
o outro, sem parar. Nada, para receber maior quantidade de oxigénio.
Agora vem a parte mais engraçada e curiosa, contrariando um pouco a
regra do que é, em princípio, normal nesta espécie. O tubarão que
circula pelo mar de STP, nomeadamente na região de Neves, foi
caracterizado como “preguiçoso”, dado que, para não se movimentar muito,
aproveita a zona da rebentação, onde a água é mais mexida, fazendo com
que as guelras sejam naturalmente oxigenadas. É portanto um tubarão
“leve-leve”...
As imagens surpreenderam-me, de facto, pelo tamanho e pela quantidade
mostrada, nadando à superfície. Se eles atacam... não sei, mas é
preferível nem experimentar. E quem, de quando em vez, procura um pouco
de adrenalina em actividades mais radicais, como um mergulho rapidinho
lá para o norte, para o pé de Neves, porque a rebentação é forte e o
tubarão só gosta de águas paradas... desengane-se porque as imagens que
foram editadas no programa fazem pensar no risco que se corre. E o maior
não é mesmo ir contra as pedras.
Brígida


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Sun Jun 6, 2004 5:22 pm

ines_stp
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Brígida, adorei a tua crónica, sobretudo a última parte - tinha que ser um tubarão leve-leve! Um beijinho, Inês ... From: "Brigida Rocha Brito"...
Inês Brito
ines_stp
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