Fonte: Angop
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Operadores questionam sistema que "fecha" turistas nos hotéis
Cidade da Praia, - Manuel António Sousa Lobo, empresário e vice-
presidente da UNOTUR (operadores turísticos de Cabo Verde), está
optimista quanto ao turismo no Sal, mas critica um sistema
que "fecha" os visitantes nos hotéis.
"Penso que não devíamos continuar na via do "all inclusive", devia
haver um travão a esse sistema", diz o empresário, dono de um dos
hotéis da ilha do Sal e conhecido nas ilhas por Patone Lobo, que
comenta assim o sistema em que os turistas pagam todas as despesas
das férias na origem e obtêm tudo o que necessitam nos hotéis.
Optimista, Patone Lobo, diz que turistas não faltam no mundo mas
avisa que Cabo Verde tem de apresentar "um bom produto e
profissionalizar mais o turismo", mas tem também de ter um sistema em
que as populações locais beneficiem igualmente desse turismo.
Em declarações à Lusa, Patone Lobo diz que também a criação de
empregos vai depender de Cabo Verde, porque os hotéis preferem
cidadãos nacionais mas só se forem bons profissionais, pelo que é
urgente a criação de escolas de hotelaria.
E depois, acrescenta, é preciso trazer para Cabo Verde turismo de
qualidade, porque "o turista de qualidade não é o do sistema 'all
inclusive' nem chega em voos charter".
Ainda assim, o turismo fez do Sal (quase 70 por cento do total do
turismo)da ilha do arquipélago com menos desemprego e onde é também
mais baixa a taxa de percepção da pobreza, 12 por cento contra os 30
por cento no resto do arquipélago.
Por seu turno, Jorge Figueiredo, presidente da Câmara, diz que quer
também para a ilha turismo de qualidade, acrescentando que nada tem
contra o "all inclusive", um sistema circunstancial, porque faz falta
no Sal uma cadeia de restauração atractiva, locais que atraiam os
turistas e condições sociais que façam com que os mesmos se sintam
seguros fora dos hotéis.
Américo Soares, dono de um restaurante na vila turística de Santa
Maria, representante da Associação Voz do Sal, questiona-se: "como é
que eu posso aguentar um restaurante com 14 empregados se não tiver
clientes?".
"A riqueza do turismo está limitada aos hotéis. No hotel compra-se
tudo e o nacional não ganha nada. Uma garrafa de ponche? Está no
hotel. Um mergulho? Também. E depois o turista é levado para o
aeroporto no carro do hotel", diz Américo Soares à Lusa, concluindo
que o sistema "all inclusive" exclui o cabo-verdiano e não cria
riqueza.
Andrea Stefanina, que à Lusa defende igualmente um turismo de mais
qualidade na ilha, garante que o "all inclusive" é uma falsa questão,
porque o problema da ilha do Sal é que "não há nada além dos
hotéis".
É que se os turistas não saem dos hotéis, diz, não é culpa
destes, "que até tinham todo o interesse do mundo em tirar os
turistas de lá porque já pagaram". "O problema é que lá fora não há
nada. Em que restaurante de Santa Maria se pode passar uma noite? Uma
discoteca? Um teatro? Não há nada e não há transportes nem
segurança".
De resto, Stefanina, garante que o sistema "all inclusive" é usado em
todo o mundo, é uma exigência do mercado, e se na ilha do Sal "fecha"
os turistas nos hotéis é porque não há nada mais "lá fora".
Fátima Fialho, ministra da Economia de Cabo Verde, considera que há
nesta matéria um problema para resolver quando diz à Lusa: "Não ponho
as culpas no 'all inclusive', nós é que não fomos capazes de
diversificar o nosso turismo."
Cabo Verde pode comportar o sistema "all inclusive", mas se
tiver "uma oferta diversificada, que incentive os turistas a saírem
dos hotéis e a consumirem os nosso produtos", ficará muito mais
dinheiro no país, diz a ministra.
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Silvino Palmer