“Não vamos permitir que as pessoas continuem a ser retiradas do
ilhéu das rolas”
PolíticaPublicado por Téla Nón
Téla Nón
Email: abelveiga@...
Site: http://www.telanon.info
Ver seus artigos
(588)
,
Quarta-feira, 15 de Julho 2009
Declaração
firme do porta-voz da 5ª comissão da Assembleia Nacional, que visitou a zona
turística do ilhéu das rolas. O deputado Sebastião Santos, disse que a comissão
constatou no terreno anomalias que brigam com os direitos dos cidadãos
são-tomenses que há longos anos residem no ilhéu das rolas. O governo vai ser
chamado já nesta sexta-feira o parlamento para tudo ficar devidamente explicado
pela primeira vez, e ser tomada uma decisão. A quinta comissão encarregue da
avaliação do respeito pelos direitos humanos, considera que a lei terá que ser
cumprida no ilhéu das rolas.
O
conflito entre os habitantes do ilhéu das rolas e a administração do hotel
Pestana Equador, que optou pelo afastamento das populações, segundo a
apreciação da 5ª comissão do parlamento, já fez derramar muita tinta nos
últimos anos.
Os
sucessivos governos, nunca reagiram em relação ao protesto de injustiça feito
pelos cidadãos nacionais que residem naquela parte do país. O actual governo
nos primeiros meses do mandato, tinha anunciado a abertura de um inquérito
sobre a situação no ilhéu das rolas, mas até a data presente não se conhece o
resultado.
Certo
porém é que o conflito manteve-se e progrediu. A quinta comissão parlamentar
que visitou o local a pedido dos cidadãos nacionais que lá residem, constou que
continua a ser-lhes negado os mais básicos direitos a sobrevivência. «O acesso a água canalizada está vedado. Da mesma forma
como o acesso a corrente eléctrica é inexistente. A escola que lá havia não
está a funcionar», declarou o deputado Sebastião Santos,
para depois indicar a administração do grupo pestana, prometeu restabelecer a
normalidade o mais breve possível. «Estamos
a esperar que as coisas sejam solucionadas o mais breve possível»,
frisou.
A
comissão encarregue das questões dos direitos humanos, esclarece que a difícil
situação de vida dos habitantes do ilhéu das rolas, tem a ver com uma contenda
que já tem anos. «Tem a ver com a
política das sucessivas administrações visando o afastamento da população local
do ilhéu das rolas. É um diferendo que já vem tomando contornos lamentáveis»,
adiantou.
Os
habitantes que decidiram não abandonar o seu torrão natal, estarão a ser
sufocados. «O que pretendemos fazer é
que se cumpra a lei. A lei tem que necessariamente preservar o espaço à
cidadania são-tomense. É preciso ir mais longe, porque há aspectos contraditórios
do próprio contrato», realçou Sebastião Santos.
A
quinta comissão do parlamento, reforça que não vai aceitar a continuidade do
processo de afastamento das populações. «Entendemos
que não faz sentido a ilha ser desabitada. A realização da actividade turística
não é necessariamente antagónica com a permanência de cidadãos são-tomenses no
ilhéu das rolas. O que não queremos e não vamos permitir é que as pessoas sejam
retiradas do ilhéu das rolas, sem condições, ou seja, por via da entrega de um
suporte financeiro que é exíguo para a realidade nacional»,
fundamentou.
O
deputado da nação disse ainda que algumas pessoas que saíram recentemente do
ilhéu das rolas, receberam 30 a 35 milhões de dobras, cerca de 1500 euros. «Aquilo que se designou chamar de re-assentamento das
pessoas, não é nada disso. O re-assentamento pressupõe a criação de condições
sociais para a continuidade da vida, para que as pessoas tenham alguma fonte de
rendimento. O re-assentamento não pode significar o afastamento das pessoas do
ilhéu. Achamos que deve haver um entrosamento entre a actividade realizada no
complexo turístico e a presença das pessoas que na nossa perspectiva é uma
mais-valia. Pode-se aproveitar a mão-de-obra local para o complexo turístico. Além
de qualificar as pessoas para o artesanato para uma série de actividades
complementares ao turismo», defende a 5ª comissão
parlamentar.
O
governo que nunca conseguiu tomar uma posição clara em relação a situação no
ilhéu das rolas, deverá esta sexta-feira, explicar ao órgão de poder
legislativo, emanado directamente pelo povo, o futuro do ilhéu das rolas.
Note-se
que o trabalho da 5ª comissão da Assembleia Nacional, não se limitou ao ilhéu
das rolas. A roça Nova Moca, que está a ser explorada pelo empresário Claudio
Coralo também foi visitada pela comissão parlamentar, que antes disso tinha-se
reunido com a direcção da polícia de investigação criminal. Uma reunião onde a
direcção e os trabalhadores da PIC, apresentaram várias queixas, que ilustram o
mau funcionamento da instituição. «Essas
três intervenções são para ter efeitos concretos, queremos ver as coisas
melhoradas, por isso vamos discutir com os ministros das áreas e encontrar
formas de acções conjuntas, em prol do povo de São Tomé e Príncipe»,
concluiu Sebastião Santos.
Abel Veiga