“Pensar que hoje nós possamos estar a tirar as pessoas do local
para preparar novo investimento é perfeitamente descabido e extemporâneo”
SociedadePublicado por Téla Nón
Téla Nón
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Quarta-feira, 15 de Julho 2009
Palavras do administrador do
grupo Pestana em São Tomé e Príncipe, Pedro Martins. O responsável que
acompanhou a visita da quinta comissão do parlamento ao ilhéu, diz que tudo
ficou bem explicado e esclarecido. Reconheceu no entanto que a população deixou
de ter acesso a água canalizada e a energia eléctrica. Quanto a continuidade do
processo de afastamento das pessoas através do pagamento de indemnizações, o
administrador, diz que são acções do passado. A
administração do grupo Pestana em São Tomé e Príncipe considera que os
habitantes do ilhéu das rolas foram afastados na base de um processo justo. «Este processo começou há cerca de 4 anos e muitas
pessoas terão efectivamente trocado a sua residência do ilhéu das rolas para um
outro sítio em São Tomé, por troca de um valor pecuniário significativo»,
declarou Pedro Martins.
O
administrador, rejeita por outro lado a ideia de que existe uma contenda entre
os habitantes e a empresa. «Nós
enquanto gestores, temos contra-propostas das pessoas que ainda hoje habitam a
ilha para efectivamente deixarem a ilha. Tivemos oportunidade de esclarecer
isso a 5ª comissão. Se bem que a diferença que eu quis deixar notória é que
muito embora tenhamos contra propostas das pessoas que lá estão para sair, o
grupo pestana vai fazer mais do que isso. Nós ao acordarmos com alguém que
queira efectivamente sair do ilhéu, para ir morar em Porto Alegre, ou para vir
morar em São Tomé, vamos dar um passo além, que é saber o que é que a pessoa
vai fazer em termos de substituição de rendimento»,
afirmou.
Pedro
Martins, apresentou um exemplo do que poderá ser a substituição de rendimento
das pessoas que vão deixar o ilhéu. «Alguém
que está hoje a trabalhar no Pestana Equador, e que vive na ilha, que é nosso carpinteiro
ou jardineiro, essa pessoa querendo sair terá o seu trabalho assegurado nos
hotéis que temos na cidade», pontuou.
A
situação social dos habitantes do ilhéu é má. O administrador confirma. «Quanto a questão da água potável, tive a oportunidade de
esclarecer que nós damos água potável as pessoas. O que terá sido dito é que
não existe canalizada, e terá existido antes. A questão da energia esclarecemos
que há cerca de 1 mês trouxemos um novo gerador para o ilhéu porque
efectivamente a capacidade energética não é a melhor. Agora é facto que a
questão de energia ela não é dada já há muitos anos. São questões antigas»,
explicou.
Por
outro lado, salientou algumas acções de apoio social. «Damos também o acesso ao transporte para escolas. Transportamos
as crianças do ilhéu das rolas para Porto Alegre todos os dias que é onde está
a escola secundária, e também temos o acesso a saúde, temos no local um
enfermeiro e uma clínica no local», referiu.
Segundo
Pedro Martins, o propósito do grupo pestana é rentabilizar o hotel do ilhéu das
rolas. «Nós não temos previsto fazer
mais investimento no hotel pelo menos até o momento em que consigamos
rentabiliza-lo. A logística não é fácil e ainda mais com a energia cara porque
ela é produzida no local». Disse.
Por
isso a administração do grupo pestana em São Tomé, descarta a possibilidade de
prosseguir com o afastamento da população autóctone do ilhéu. «Pensar que hoje nós possamos estar a tirar as pessoas do
local para preparar novo investimento é perfeitamente descabido e extemporâneo
e não é nem tem sido esta a nossa actuação em todos os países onde estamos»,
concluiu.
Abel Veiga