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Um amigo parte para a Guiné, um amigo que conheci em São Tomé, já
nem sei há quanto tempo. Homem da agricultura, do café e das
plantações, das longas caminhadas pela floresta, dos jardins e das
flores, das explicações detalhadas e das conversas respeitadoras. Um
homem como há poucos, sempre com uma palavra amiga e um olhar mais
do que compreensivo.
Desejo-lhe boa sorte nesta nova fase africana porque tudo vai ser
novo para ele. A Guiné é uma África bem diferente de S. Tomé, é
mesmo África, pela dureza das vivências, pela densidade da paisagem,
pela complexidade das culturas, pela diversidade étnica. E só de
pensar na viagem dele, lembrei-me o que por lá vivi. Foi de tal
forma marcante que ainda hoje, passados quase 10 anos, penso
naqueles sorrisos e naqueles olhares, que se me pedissem para
descrever numa palavra, diria que o sorriso é terno, o olhar intenso
e as faces meigas.
Espero que ele se dê bem, que tenha cuidado com as aventuras em meio
natural - as cobras (não pretas mas igualmente perigosas), os
jacarés nos rios e as formigas (muito chatas), são os principais
riscos. Além do paludismo, mas esse ele já conhece.
E espero que coma muitas mangas - que há de todas as qualidades,
cores e feitios - das que abrem, das fibrosas, das verdes, das
vermelhas, das amarelas e das laranja, de todas porque são
sumarentas e magníficas; ostras; camarão; ananás; banana; coco;
mancarra (o amendoim); caju, fresco e seco; e tudo e tudo. E que não
olhe muito para o céu para não se confrontar a toda a hora com os
jagudis (abutres) que pairam sem parar. Que aproveite e se divirta,
com cuidado e cautelas, que dance muito e passeie mais.
E que escreva a contar as impressões!
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