the plastic cookies #85 : a night like this
CURIOSA festival, com the cure / interpol / the rapture / mogwai
tinley park, il, 12 de agosto de 2004
http://www.curiosafestival.com/
tinley park é um subúrbio de chicago. como quase todo subúrbio americano não
passa de uma cidadezinha de pessoas pacatas, famílias com cachorro e quase nada
pra fazer.
já o tweeter center é um lugar enorme, não faço idéia a capacidade, mas é
espaço suficiente para barracas de bebida/comida, banheiros (de verdade!) e
barraquinhas de merchandise, cercando um main stage enorme com pit, assentos
cobertos e área vip. isso tudo fica exatamente no meio do nada, a direita da
tal tinley park.
a coisa toda começou por volta das cinco da tarde. sem grandes problemas, nada
de fila ou tumulto. tudo muito tranqüilo. tempo pra comprar uma camiseta. as
camisetas do cure este ano não estão muito legais, mas haviam diversas opções e
eu escolhi a minha. tudo pronto! fui procurar meu lugar e esperar pelos shows e
fazer um reconhecimento de território...
Palco B : Head Automatica
banda nova, de nova york. som nada de novo, guitarras sobre batidas
eletrônicas. gente meio estranha, os integrantes são uma mistura de estilos...
um dos guitarristas parece saído do suede (mas não é!!), cabelinho style,
terninho e meias com pattern combinando com a gravata... o outro guitarrista,
com uma flying V e uma camisa rosa bebê, parecia ter alguma coisa errada, e o
baterista, expalhafatoso não combinava com aquela coisa metrosexual além da
conta... baixista? hmmm não lembro... vocalista? meu amigo disse que era uma
mistura de jarvis cocker (pulp) com anthony kiedis (red hot chilli peppers)...
sacanagem tanto com o jarvis quanto anthony... mas enfim... o curiosa
começou!!!
Main Stage : Mogwai
tinha pouca gente presente ainda. quando os caras entraram no palco, um punhado
de pessoas, eu incluído, reverenciou. "hi! we're mogwai from glasgow!"
apresentou o guitarrista/vocalista stuart braithwaite. os caras tocam alto,
realmente alto. alto de zunir os ouvidos. a meia hora de show para cada banda
antes do cure foi curta demais para o mogwai. fizeram um show muito legal, mas
que poderia ter sido mais bem aproveitado se não disperdisassem 10 minutos com
distorção pura e brincadeirinha nos pedais no final. destaque para garotas
tapando os ouvidos e perguntando "o que é isso?!"
Palco B : Cooper Temple Cause
média boca.
Main Stage : The Rapture
não tinha idéia que esse caras eram tão guris. fazem um show muito preza e
botam o pessoal pra dançar. em "house of jealous lovers" pessoas corriam em
direção ao gramado onde centenas pulavam enlouquecidamente numa pequena rave.
muito legal.
Palco B : Auf Der Mar
devo confessar que auf der mar é um bom show mais pelos atributos físicos da
sua vocalista/baixista melissa auf der mar, ex hole e smashing pumpkins do que
exatamente pela música. a moça é realmente "vistosa" ainda mais rockando aquele
baixo. auf der mar foi o mais legal até agora no palco B, mas mesmo assim fui
mais cedo em direção ao main stage pois não queria perder nada do que estava
pra acontecer por lá...
Main Stage : Interpol
li em algum lugar que mr smith se dizia preocupado pois o show do interpol
andava muito bom. é verdade! interpol pode parecer joy division, pode ter
bebido muito do próprio cure, mas aí está uma grande banda. estilo não falta,
competência também não. nós, o público, respondemos a nossa maneira. tocaram
algumas do disco novo "antics" programado pra dia 28 de agosto.
Palco B : Muse
queria muito ver o muse. tinha certeza que eles fariam justiça ao palco bê. mas
alguma de coisa de errado aconteceu e o show foi cancelado. por conta disso,
interpol tocou um pouco mais e sobrou tempo de preparar o coração pro que
estava por vir. sem som, estava um frio de rachar...
Main Stage : The Cure
a organização desse festival foi incrível. TUDO funcionou perfeito, desde o
estacionamento até a troca de bandas. não fosse o wo do muse, não daria pra ver
como a coisa funciona. em poucos minutos, o palco do cure estava pronto e tudo
agora era suspense. uma musiquinha tocava de fundo, talvez um novo tema como os
das tours anteriores, não sei... luzes se apagam e o meu coração e os daquela
platéia lotada parecia pronto para saltar pela boca...
levei papel e caneta...
dá uma olhada no set list!
01 Lost
02 Plainsong
03 Labyrinth
04 Fascination Street
05 From The Edge Of The Deep Green Sea
06 High
07 End Of The World
08 Anniversary
09 Lovesong
10 Inbetween Days
11 Just Like Heaven
12 Pictures Of You
13 Closedown
14 Before Three
15 Disintegration
16 100 Years
17 The Promise
bis
18 Close To Me
19 Lovecats
20 Why Can't I Be You?
21 Boys Don't Cry
"lost" preparou e "plainsong" bateu de frente. antes mesmo de robert entrar com
a letra, meus olhos já estavam embaçados. quando tudo parecia flutuar e eu
simplesmente não acreditava que aquilo estava realmente acontecendo olhei em
volta e vi uma multidão em êxtase. parecia que todos ali esperaram suas vidas
inteiras por aquele exato momento. dava pra sentir a energia das pessoas.
"labyrinth" quebrou o transe e "fascination street" transformou a emoção em
divertimento. logo depois, resolvi meus problemas com "from the edge of the
deep green sea" numa interpretação fantástica, mesmo com o atraso na entrada da
letra.
em "high" robert esquece a letra, improvisa e é aplaudido. "end of the world"
não escapa, será (ou já é) um dos grandes hits do cure. "anniversary" é linda.
aí então entra essa seqüência "lovesong", "in between days", "just like
heaven", "pictures of you". haja coração!! o que mais o velho cure fã poderia
querer? duvido que o tweeter center tenha visto algo assim antes... todo mundo
lá era um só!
"closedown" deu um tempo pra respirar. a melodia linda balançava as pessoas. e
"disintegration" (sem os samplers de vido estilhaçando) fez o pessoal do pit
finalmente pular todos juntos. "100 years" foi responsável pelo pigarro que eu
estou até hoje. berrei a letra inteira tão alto que pessoas a duas filas na
minha frente se viraram pra ver de onde vinha esse sotaque! "the promise"
fechou. impressionante a sensação que dá depois de um show desses, poderia
começar tudo de novo e de novo e de novo, seria sensacional.
o cure volta com "close to me" robert anda de uma ponta a outra do palco. bem
no finalzinho, ensaia a famosa dancinha, sorri... em "why can't i be you?"
passeia de novo estende a mão pras pessoas nas primeiras filas (malditas
pessoas das primeiras filas!!!). "boys don't cry" é o tiro de misericórdia.
todo mundo sabe a letra, todo mundo canta junto e... acaba.
a banda deixa o palco, robert fica, dá seu último passeio pelo palco, sorri
muito, abana visivelmente emocionado em direção a lateral oposta. antes de
sair, pára e olha uma vez mais para a platéia, abana de novo. tudo pertence a
ele, ou a nós. e vai.
mais uma vez...
obrigado, robert smith.
pedro bopp.
fotos em
http://www.pbase.com/craigparker/tinley_park_2004
chicago, 18 de agosto/2004
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