Caro Gerhard,
Estos dias (ou tempos) estão a coincidir alguns eventos "movimentais" que nunca
antes foram tão continuados. Estamos a ver:
- 29/05/2009 passado, celebrou-se um debate aberto da sociedade civil sobre o
estado da nação, organizado entre outros pelo jurista Agostinho Fernandes, que,
segundo me explicaram, é pessoa independente, fora dos circuitos políticos e da
função pública (alguns dos meus amigos falaron-me dele como uma pessoa honesta e
muito seria). Pode-se ver a crónica de Eclysa Bastos em Tela Non
(http://www.telanon.info/sociedade/2009/05/29/1384/debate-da-sociedade-civil-sob\
re-o-estado-da-nacao-constatacao-que-o-estado-esta-em-risco-de-desaparecimento-e\
-propoe-unidade-e-accao-concertada-dos-cidadaos-para-salvar-a-nacao).
A conferência se celebrava na constatação "que o estado está em risco de
desaparecimento e propõe unidade e acção concertada dos cidadãos para salvar a
nação", "perda absoluta de valores, crise de autoridade de estado, descrédito
completo das instituições, banalização das figuras e dos titulares de cargos do
estado, crise dos partidos políticos, ausência de liderança e de um sentido
comum, entre outros". Inicialmente, por tanto, trata-se de uma reunião de
cidadanos preocupados pela deriva do Estado frente as amenaças da actualidade
(crise global?, crise nacional?).
Essa conferência acabava com um manifesto de 7 constatações:
"1º Que o estado padece de inúmeros problemas que ameaçam a sua subsistência e
que põe em perigo a sociedade;
2º Há necessidade urgente de uma intervenção proactiva e construtiva da
sociedade civil;
3º É necessário pôr um ponto final as lamentações e começar a agir, solucionando
os problemas reais;
4º é necessário criar uma estrutura organizada ;
5º É necessário criar grupos de trabalho que possam produzir documentos com
soluções para os problemas, quer de fundo, quer emergentes da nossa sociedade;
6º é preciso que os problemas possam ser resolvidos pela própria sociedade,
rompendo com o habito de esperar pelo poder politico;
7º A sociedade civil deve ser mais intervenientes e utilizar efectivamente os
poderes que lhe advêm da constituição para tal fim".
Acho que a todas luzes parece um movimento bem-intencionado, proactivo,
constructivo, desejante de uma nova cultura social mais combativa pelos
direitos, mais entregue ao trabalho e a iniciativa pessoal e colectiva...
- 20/06/2009, aparição no Amazon
(http://www.amazon.com/Exorcising-Devils-Throne-Albertino-Francisco/dp/989962170\
6/ref=sr_1_6?ie=UTF8&s=books&qid=1245496098&sr=1-6) do livro "Exorcising Devils
from the Throne" ("Exorcizando Demónios do Trono") escrito por Francisco
Albertino da Boa Morte e Agostinho Nujoma Sancho Quaresma (acho que não são
pseudónimos?), livro vivamente apresentado pelo Dr MeJingu di Sun Fode Budu
Tlaxa, membro apodado deste forum. É um livro que, quando chegue do Amazon,
vamos ter que ler.
[Acho que se deve ter escrito em inglês por três razões principais: a) Mais
surpresa, b) Mais difussão mediática (internacional, vai dirigida aos amigos
americanos ou nigerianos?), c) Demostração da sua capacidade (como já se falou,
a edição está paga pelos próprios autores)].
- 30/06/2009 (dez dias depois), manifesto da criação do Movimento pela Renovação
e Construção de São Tomé e Príncipe (MRCSTP), sem identificação dos
organizadores (acho que mais tarde o mais cedo vão ter que saber-se), ainda que
dizem que são estudantes em Portugal. Por certo, se apresentão esgrimendo um dos
teus artigos, do Janeiro de 1975.
- A parte disso também pode-se anhadir um movimento nacionalista no desporto
"Orgulho São-Tomense está Vivo", que ajuda a dar ainda mais temperatura a esse
climax social... É interessante analizar quais empresas são as que estão a
apoiar esse movimento desportivo.
Aos olhos dos espectadores, parece como se se tratasse de uma agenda bem
pensada, sincronizada... E quiçás nenhuma destas movimentações tenham nada de
sincrónicas, mas também não parece que tenham nenhuma relação com outros
movimentos anteriores, como a acção do Webeto e o famoso documento sobre a
"Coisa Pública". Com todos os promotores secretos do MRCSTP estão a falar de uma
"1a Fase".
Com certeza, em um dos primeiros contactos que tive com colegas da chamada
"diáspora", um amigo que há tempo que não pisa a sua terra me perguntava pela
acção da sociedade civil, pela movimentação por exemplo de sindicatos,
associações de moradores, associações culturais ou desportivas (além dessas ONGs
criadas para apanhar subsídios). Ele então me falava que também não há Estado
sem essas organizações (as vezes pequenas, mas muito visualizadas) que estão a
dar pulso ao Governo e que, claro, são parte viva própria da governação moderna
que precisam todos os países, todos os lugares.
Nessa altura (na altura na que eu estava a observar os esquemas de vida da
famosa Feira do Ponto) eu constatei movimentações de moradores relativas a temas
de habitação e de reparto de parcelas para a construcção de novas casas em
bairros da perifêria da Capital. Movimentações vivas emprendidas por pessoas
jovens, que o faciam frente a necessidade básica de alojar melhor à família, e
que truseram muito de cabeza ao Ministro da pasta. Também podemos lembrar dessas
demostrações relacionadas com os artesanos, que desencadenaram uma infeliz
mostra de força, com feridos e um morto (preâmbulo do Golpe)...
Eu pessoalmente acho que são precisos movimentos revulsivos para o debate e a
reflexão, que impulsionem acções contra o imovilismo, que favorezcam a
innovação, que aproveitem as oportunidades, que planteem retos colectivos, que
apresentem novos instrumentos para a boa governação, a transparência, a
avaliação contínua das políticas, ajudem a sua melhora, que ajudem (que reajam
para) a criar melhores condições de vida para os cidadanos... Movimentos com
boas intenções. Mesmo para dar mais confiança nessa governação, pensando outra
vez na coisa pública (na Re Pública), que é mesma coisa que fazer-o sobre a
cohesião social. Sem cohesão social, será muito difícil pensar em
competitividade do país, em São Tomé e em qualquer outra parte do mundo. Com
certeza, sem movimentos sociais muito provávelmente não existiria o progresso,
algo que está presente no sentido da própria revolução para a independência do
país e também na animação da democracia.
Vamos ficar espectantes mais uma vez sobre o desenvolvimento dessos movimentos
sociais (alguns tem toda a pinta de estar a procura de um novo partido
político), e muito especialmente dessas "caras novas" nas "segundas fases", se
as há!
Com certeza, caro Gerhard, vas ter matêria para um novo artigo!!
Um grande abraço,
Xavier
--- In saotome@..., Gerhard Seibert <mailseibert@...> wrote:
>
>
>
>
> Caro Xavier,
>
> Confesso que não faço a mínima ideia quem está atrás deste novo "movimento"?*
Eles dizem que são estudantes são-tomenses em Portugal. Acredito que dizem a
verdade.
>
> Acho lamentável que eles não estão em condições de apresentar-se com os seus
próprios nomes. Este secretismos desvaloriza a iniciativa deles.
>
>
> Um abraço
>
> Gerhard
>
> *Recordo-me que, em 1972, em Malabo (ex-Santa Isabel), o outro "movimento", o
MLSTP, foi constituído por nove pessoas.
>
>
>
>
> --- On Fri, 3/7/09, Xavier Muñoz <xavier270962@...> wrote:
>
>
> From: Xavier Muñoz <xavier270962@...>
> Subject: [São Tomé e Príncipe] Re: Primeira fase do projecto MRCSTP
> To: saotome@...
> Date: Friday, 3 July, 2009, 6:39 PM
>
>
>
>
>
>
>
>
> Caro Gerhard,
>
> Esse MRCSTP tem qualquer coisa a ver com esse congresso da sociedade civil
celebrado recentemente em São Tomé ou é outro movimento ou está próximo ao
Webeto?
>
> É bom que haja crítica e que seja construtiva e cultive o diálogo e a reflexão
aplicada. Se é dentro do país, ainda melhor. E já é sabido, sem movimentos
sociais não há progresso, mesmo que sejam um fracaso em si próprios. A história
sempre acaba por reconhecer as bondades do pensamento social.
>
> Um abraço,
>
> Xavier
>
> --- In saotome@yahoogroups .co.uk, Gerhard Seibert <mailseibert@ ...> wrote:
> >
> >
> > --- On Wed, 1/7/09, Movimento para Renovação e Construção de S.Tomé e Pr
<mrcstp@> wrote:
> >
> >
> > From: Movimento para Renovação e Construção de S.Tomé e Pr <mrcstp@>
> > Subject: Primeira fase do projecto MRCSTP
> > To:
> > Date: Wednesday, 1 July, 2009, 6:30 PM
> >
> >
> > Caríssimos irmãos e compatriotas e amigos,
> > Pelo facto de termos recebido críticas relativamente a ocultação da
identificação dos atuais membros do projecto MRCSTP, é a nossa obrigação
informar o seguinte:
> > Tendo em conta que nascemos num país que se encontra numa fase que nós
consideramos de fase primária da democracia, e dada a sua característica
(extrema corupção, pobreza da maioria da população, o uso da política como o
único meio de enriquecimento, Desconfianças, inseguranças, conflitos entre os
dirigentes gerados por causas pessoais e que em nada traz o benefício a
população, etc) e pelo facto de sermos um projecto, pelo qual está ainda na sua
fase inicial (vulnerável), achamos pra já ocultar a identidade dos atuais
membros. É claro que depois de condensarmos o movimento, divulgaremos as nossas
identidades. Esperamos que entendam a situação.
> >
> > Nessa primeira fase do projecto, pretendemos colher informações, dados,
críticas, reflexões e todo um conjunto de material prático e real, incluindo o
descontentamento da população, para que depois possamos ir ao terreno fazendo
uma campanha de divulgação das informações colhidas (através dos meios de
comunicação disponível (blogs da internet, jornais, rádio entre outros)) e desta
forma erguer o espírito e a disposição da TOMADA DE ATITUDE PRÁTICA dos
residentes em S. Tomé e Príncipe e além fronteira induzindo-os a manifestações
contra a situação(Aquí nessa fase já poderemos "dar a cara").
> > Pra já, aderir ao projecto é enviar-nos as suas críticas e propostas a seu
ver para a melhoria de condições políticas do país. Não pretendemos apenas
criticar (porque muitos já o fizeram), pretendemos acima de tudo uma mudança
propondo um novo modelo de POLÍTICA DE GOVERNAÇÃO DO NOSSO PAÍS com base no
consenso de todos, por isso a vossa opinião é muito importante. Os seus
conhecimentos têm imenso valor pra nós. Diz-nos a tua especialidade.
> >
> > ACREDITAMOS QUE COM A PARTICIPAÇÃO DE TODOS CUMPRIREMOS OS NOSSOS OBJETIVOS!
> >
> > Ass: MRCSTP
> >
>