--- On Tue, 14/2/12, Elisa Andrade <elisandre@...> wrote:
From: Elisa Andrade <elisandre@...> Subject: Carta aberta ao Sr. Presidente da República To: "Elisa Andrade" <elisandre@...> Date: Tuesday, 14 February, 2012, 11:27
Bom dia
Eu já tinha assinado uma petição no ano passado contra a entrada deste sombrio personagem como membro de pleno direito na CPLP. Reforço a minha Posição.
Caboverdianamente
Elisa Andrade
Carta aberta ao Sr. Presidente da República, Dr. Jorge Carlos Fonseca (de Oscar Antonio Ribeiro)
"A Guiné Equatorial e a CPLP
Tem sido voz corrente, especialmente nos últimos dias e com especial enfoque na comunicação social, a entrada da Guiné Equatorial como membro de pleno direito na CPLP, numa próxima Cimeira desta Organização a ter lugar num futuro não muito longínquo, a ter lugar em Moçambique.
Será que a Guiné Equatorial preenche os requisitos necessários para ganhar semelhan-te estatuto?
De recordar que os estatutos da CPLP no seu artigo 5º, alínea e, ditam:
A CPLP é regida pelos seguintes princípios:
e) Primado da Paz, da Democracia, do Estado de Direito, dos Direitos Humanos e da Justiça Social
Que razões políticas, económicas ou outras estarão na sustentação deste
posiciona-mento que pretende integrar a Guiné Equatorial na CPLP?
Dados indesmentíveis mostram-nos que estamos perante um país cujo regime é dos mais corruptos, egocêntricos, autoritários, déspotas, retrógrados, sanguinários, repressivos e anti-democráticos do mundo, onde a violação dos direitos humanos fez morada.
O Presidente da República, Teodoro Obiang, governa por decreto. Não existe Parlamento.
Consegue ser equiparado a Idi Amin Dada do Uganda, Mobutu Sese Seko do Congo Kinshasa, ou para nos situarmos no momento actual, ao tenebroso Robert Mugabe, do Zimbabwé.
Já pensa e mexe os cordelinhos no sentido de deixar a sua sucessão ao filho, Ministro do seu Governo, que numa visita oficial ao nosso país ocorrida há pouco tempo, inte-grando a delegação do pai Presidente só em despesas com bebidas alcoólicas na uni-dade hoteleira onde ficara alojado, deixou pesado calote, conforme amplamente divulgado
pelos media locais.
Recentemente, por ocasião do CAN, (Campeonato Africano das Nações) ainda a decor-rer, ofereceu à equipa nacional, por uma vitória na competição a módica quantia de 500 milhões de francos, equivalente a 760.000 euros. Note-se que a pasta que detém no Governo é a da agricultura e não a do desporto.
Qual a proveniência deste montante num país onde ao lado da maior opulência pas-seia a miséria mais humilhante e extrema?
Fontes fidedignas asseguram que esse jovem tirano que segue as pisadas do pai afir-mou ter comprado em Agôsto de 2011 um iate que custou 380 milhões de dólares (263 milhões de euros). O dinheiro despendido é quase três vezes superior ao que a Guiné Equatorial gasta na saúde e educação da sua população todos os anos.
Como entender que o Sr. Obiang ocupe o 8º (oitavo) lugar no rol dos Governantes mais ricos do mundo, num país onde o PIB per capita é o maior de todo
o continente africano e, entretanto, a esperança de vida seja de apenas 49 anos para os homens e 53 para as mulheres?
Como perceber que num país dessa dimensão territorial haja mais de13 palácios presidenciais, com uma média de um para cada 54.000 habitantes numa demonstração evidente e inequívoca do maior desdém e desrespeito pelas necessidades da população.
É este mesmo Presidente que na abertura da 18ª Cimeira da União Africana, teve a desfaçatez de dizer “A África não precisa de nenhuma democracia imposta pelo povo”.
Porque motivo a UNESCO recusou aceitar a atribuição do seu nome a um prémio de cariz aparentemente humanitário e propósito científico, de significativo montante pecuniário, no seu próprio país?
Porque razão determinados Estados dos USA decidiram congelar todos os bens e depósitos bancários dos principais dignitários equato-guineenses, a começar pelos dos mencionados neste
documento?
Porquê aceitar um país com semelhante governo no seio da CPLP? Já não basta a cor-rupção reinante no grupo dos que já a compõem?
Há razões que a minha razão não alcança.
Bem sei que estes posicionamentos são cozinhados através de corredores, não raras vezes obscuros, nos bastidores, em alçapões esquivos e quase sempre inacessíveis ao comum de nós, cidadãos que por direito próprio integram a CPLP.
Mas, Sr. Presidente, pelo que julgo conhecer de si, presumo que não engole esta situação com agrado, ânimo leve e consciência tranquila.
Que mais valia traria esta integração para a CPLP, que não fosse a sua descredibilização? "
Praia, Fevereiro de 2012
Óscar Ribeiro
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Tue Feb 14, 2012 11:41 am
Gerhard Seibert <mailseibert@...>
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